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É mais do que esporte
18/05/2012 19:18
Mulheres de meia-idade, com pelo menos uma década de experiência em escolas e contentes com sua vida profissional. Esse é o perfil médio dos professores de Educação Física no Brasil. A maioria deles, segundo uma pesquisa recente do Ibope, está feliz com o ganha-pão: 74% declaram-se “muito satisfeitos” e atribuíram nota 8,2 para o emprego. Por outro lado, para 21% a disciplina não tem sido tão valorizada quanto as demais, fato expressado também no alto índice dos que reclamam que os alunos “faltam muito”: 41%.
Os achados são de um levantamento feito pelo Ibope em 458 escolas municipais, estaduais e federais, entre outubro e novembro de 2011, a pedido do Instituto Votorantim, da ONG Atletas pela Cidadania e do Instituto Ayrton Senna. Ao investigar uma disciplina que ainda carrega o estigma de ser voltada primordialmente para a prática esportiva, sem maiores contribuições para a vida escolar e futura do aluno, o estudo demonstra que diretores e vice-diretores são levemente mais otimistas quanto à importância dada a ela: eles são 87%, ante 71% dos professores.
Professor da rede pública no bairro paulistano do Jaraguá, Daniel Reis, 29 anos, conta que, apesar de não fugir das habilidades específicas da disciplina, seu maior objetivo é formar alunos autônomos, críticos e com valores. Sobre o reconhecimento da disciplina na escola, ele é lacônico. “As pessoas não falam, mas fica meio implícito.
A pesquisadora da Faculdade de Educação Física da Unicamp Helena Altmann baseia-se em números para tentar explicar os motivos dessa percepção. “O desprestígio da Educação Física escolar fica evidente quando olhamos para a frequência das aulas”, analisa. A oferta das aulas varia de acordo com os níveis de ensino. Durante o Fundamental I, é feita, em média, 1,9 aula por semana; no Fundamental II, o número sobe para 2,2 aulas semanais, mas cai no Ensino Médio para 1,7 aula. Segundo a especialista, como o Ensino Médio é muito voltado para o vestibular, a disciplina acaba em segundo plano.
Por outro lado, a noção de que a Educação Física escolar significa necessariamente suor, jogos competitivos e esportes precisa ser superada – algo que já acontece entre os estudiosos –, explica o professor e pesquisador da Faculdade de Educação Física da USP Marcos Neira. As mudanças começaram ainda na década de 1980 e hoje já se encontram cristalizadas em muitas propostas curriculares estaduais e municipais. “A ideia hoje majoritária no campo é que a Educação Física deve ser a disciplina que ajude os alunos a entenderem e produzirem as manifestações corporais, como as danças, às lutas, a ginástica e também os esportes”, explica.
A disciplina foi incluída no currículo escolar pela primeira vez em 1851, quando a Reforma Couto Ferraz tornou obrigatória a Educação Física nas escolas. Ligada a questões médico-higienistas, as aulas no começo do século 20 não eram consideradas parte do trabalho escolar e incluíam conteúdos de anatomia e fisiologia. O Exército também passou a influenciar a área a partir da década de 1930, quando os militares eram os principais professores das então chamadas aulas de ginástica, cujo objetivo era formar indivíduos fortes e com boa resistência física.
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